A Independência do Bitcoin Um investimento alternativo natural

Os eventos macroeconômicos da última semana deram novo ímpeto aos criptoativos, em especial ao bitcoin. A redução das taxas de juros pelo Federal Reserve confirmou as expectativas do mercado financeiro de que novas rodadas de expansão monetária estão no roadmap.

Em termos globais, o valor de mercado dos criptoativos superou novamente os US$ 300 bi e a dominância do bitcoin testou o patamar de 70%, maior nível desde abril de 2017.

“Dia da Independência do Bitcoin”

A quinta-feira passada, dia 1 de agosto, marcou o aniversário de dois anos do Bitcoin Cash, o contencioso fork do Bitcoin, resultado de uma longa batalha em torno do desenvolvimento e futuro do protocolo criado por Satoshi Nakamoto.

Aos que não nutrem grandes sentimentos pelo Bitcoin Cash (como este que vos escreve), o dia 1 de agosto também é considerado o “Dia da Independência” do Bitcoin, visto que nesse dia tinha êxito o chamado UASF (User Activated Soft Fork), uma espécie de contra-ataque, ou defesa, dos usuários normais do protocolo contra a captura da rede por empresas e grupos de interesse (àqueles que desejam reviver essas semanas tensas de 2017, recomendo esta playlist no meu canal).

Um ativo verdadeiramente descentralizado

O fato é que os dilemas sobre governança de protocolos de criptoativos persistem até os dias de hoje. Para o bem ou para o mal, o Bitcoin seguiu o caminho anárquico (ausência de uma liderança), enquanto boa parte dos demais protocolos contam com alguma figura, entidade, fundação ou grupo com maior grau de influência sobre os rumos das redes.

Basta ver o recente debate sobre o fim do fundo dos fundadores do Zcash. Em virtude dessas conversas, Zooko Wilcox, criador do Zcash, escreveu uma “carta pessoal” sobre a possibilidade de um novo “fundo para desenvolvedores”.

A desaceleração econômica mundial e os ativos de proteção

Contudo, o tema central nos mercados de criptos hoje está convergindo com o tema central dos mercados financeiros globais, isto é, a desaceleração econômica mundial, o novo ciclo de afrouxamento monetário, a reversão dos mercados acionários e como toda essa conjuntura tende a reverberar de maneira positiva a ativos “duros” (hard assets) como ouro e, claro, bitcoin.

Tenho escrito regularmente sobre os fenômenos monetários globais e como eles, sistematicamente, avançam por dois fronts em paralelo cuja consequência inevitável é a busca de proteção e alternativas pelos reles mortais.

Quais são esses fronts? Primeiro, a promessa de desvalorizar as moedas nacionais para salvar a economia (na verdade, os mercados financeiros) a qualquer custo. Em segundo lugar, o aperto do controle e monitoramento de toda e qualquer movimentação financeira, inclusive o repasse de juros negativos (tarifas, custos, na prática) aos correntistas de instituições financeiras.

Alternativas naturais

Ora, é da natureza humana buscar formas de preservar o patrimônio e blindar-se contra a opressão de governos (independente do pretexto usado). E quando governos e bancos centrais mundo afora prometem dilapidar a riqueza dos cidadãos ao mesmo tempo em que tolhem a liberdade da sociedade, ativos como ouro e bitcoin emergem como alternativas naturais.

Artigo da XDEX



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